Tuesday, 3 July 2012
Circunstâncias circunscritas
Acho fantástica a noção de que minha locomoção está implícita e a sua não. Por que raios é esperado que eu me desloque até você e não você até mim? Sim, acordamos cedo e dormimos tarde. Sim, estamos igualmente cansados. Mas se a vontade de me ver é menor que seu cansaço, de fato prefiro que não venha. Eu vou te contar do porque EU não vou: já fui. Já cansei de ir.
Quantas vezes fiz herculeanos esforços pra te ver, estar com você? E em retribuição espera-se simplesmente que de vez em quando faça atos igualmente loucos. Loucos de amor. Não quero nada premeditado. Nem quero desordem o tempo todo. Mas matar a espontaneidade do amar é buscar calor no abraço de cadáver, rígido em rigor mortis. Se a chama que diz arder por mim está morna a ponto de conseguir esperar pela chance oportuna, ou acaso do destino, sinto muito.
Eu crio as minhas circunstâncias.
Venha logo ou não venha nunca mais.
Wednesday, 27 June 2012
Eu te amo
Não porque é fácil ou porque deva ser. Nem porque é difícil. E não deve ser. Não tem nada de simples no amor. Mas eu te amo. Todos os dias, eu te amo.
Te amo no óbvio e complexo da vigília matinal, quando tudo é ainda confabulações de um futuro distante. Somos ganhadores da próxima loteria, vencedores de Nobel, tutores legais de todos os órfãos abandonados, distribuidores da riqueza e felicidade através da nação. Amo seu idealismo. Amo que você permita o meu.
Lemos o jornal e, com café, acordamos. Amo que você discorda de mim, em praticamente tudo: futebol, política, religião. Tudo é tão mais vivo e interessante. Você me escuta e eu, te escuto as vezes. Estou aprendendo a escutar. E te amo ainda mais por ter a paciência de me ensinar.
Te amo depois, na indecisão daquele que já é feliz em agradar. Os dias com você sempre passam mais depressa. Confesso que é apocalíptico: teria eu a noção de menos-vida por estar ao seu lado? - Como sou boba, penso sempre a seguir: não é a duração, e sim a intensidade do momento, que o torna inesquecível, especial. Concorda? E os que tenho com você são sempre os mais memoráveis. Não importa se é aquela manhã de dolce fa niente totalis em casa ou até mesmo aquelas conversas de horas no telefone, permeadas por silêncios, nós dois concentrados em alguma coisa, mas ambos curtindo a companhia um do outro, pelo telefone. São os meus momentos. Os nossos momentos.
Chega a noite. Sua novelice, que me irrita demasiado, é amada, assim como a cozinha em padrões de laboratório de microbiologia - e todas as idiossincrasias que o pacote traz. É um pacote fabuloso. A pizza, o fogão usado como armário, tudo é parte de um processo. E eu entendo. Mais que isso: amo o pacote. Todo ele.
Na correria quadrada do cumprimento de planos e metas, na rigidez da inflexibilidade, te amo também. A idade corrói o ferro. Mas bobo é aquele que não sabe solda de ferrugem. Estabilidade se conquista. Soldar é arte que está em baixa no mercado. Estruturas articuladas tem seu charme, mas já vimos muitas desabarem ao nosso redor. Prefiro minha ponte. Solida, soldada, estável, amada. Essa ponte é meu caminho até a sensibilidade que nunca tinha antes alcançado, até uma vida de possibilidades que até então só imaginava. Minha ponte para o amor.
Sei que as palavras te faltam. E em mim sempre sobraram. E eu te amo por isso. Não por ouvir minhas palavras. Ou por as vezes deixar eu forçar as suas. Te amo por guardar silêncios para mim; me ensinar a te-los. E principalmente, amo cada palavra sua: mesmo as que você nunca disse (e nem nunca vai dizer).
Amo tudo. Todo você. Não tem fio de cabelo seu (por mais bizarro lugar que possa aparecer) que eu não ame. Seu sorriso é sensacional. Me faz sorrir só de pensar nele. Amo como você me abraça, como faz parecer que tudo sempre vai ficar bem. Seu cabelo é lindo.
Amo seu coração. Nunca conheci alguém tão bom. Com tanta bondade e riqueza de caráter. Você me inspira. Amo te amar. Amo que você também me ama.
Monday, 13 February 2012
Passividade
ou, a atividade de passar. E como passar em atividade dá trabalho....
Por cima daquele morro passa boi, passa boiada. Só não passa a Luiza, que está no Canadá.
Oops, não pude evitar.
Já que estamos no clima:
O Papagaio come milho.
periquito leva a fama.
Cantam uns e choram outros
Triste sina de quem ama.
O buraco é fundo, amigo. É fundo... E mais embaixo.
........
.....
..
.
Acabou-se o mundo.
Por cima daquele morro passa boi, passa boiada. Só não passa a Luiza, que está no Canadá.
Oops, não pude evitar.
Já que estamos no clima:
O Papagaio come milho.
periquito leva a fama.
Cantam uns e choram outros
Triste sina de quem ama.
O buraco é fundo, amigo. É fundo... E mais embaixo.
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Acabou-se o mundo.
We need to talk...
Those might be the most dreaded words ever. Why? Yes, I ask you the why. For it is no simple matter.
We are cowards. We prefer to run from the confrontation than to mend the situation. Yes, the old tactic to avoid any and all problem and hope it will go away.
We are cowards but we are not stupid: we KNOW it won't go away. If given the option, we would mend our broken relationships. But that is not the option that is presented to us: life is a little bitch. And throws banana peel at us. Traps and slippery situations all around. We learn from a young age to avoid. Avoidance is the name of the game, bebê.
One day, however, we consider the possibility to break free from our old reality, our old pattern. We think we can actually do it, and start wondering about the possibility, about what we could do.
We can either talk - and by that I mean uncover the well and maybe find happiness forevermore - or until the next bump in the road - or drown terribly in said well. And we fear, oh my gosh do we fear! We fear the unknown, the unpredictability of the other. Of ourselves. The unforeseen is terrifying, but it brings a gleam - or shadow - of hope. To mend is possible, but also possible is the chance to break, completely and definitely. The indefinition of the situation appeals to us, especially when our heart is in serious jeopardy.
As our dear Gilberto Amado used to say: If to live is not easy, to live together is hell.
Alas, to love, the great suffering. And also the great redemption....
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO.
We are cowards. We prefer to run from the confrontation than to mend the situation. Yes, the old tactic to avoid any and all problem and hope it will go away.
We are cowards but we are not stupid: we KNOW it won't go away. If given the option, we would mend our broken relationships. But that is not the option that is presented to us: life is a little bitch. And throws banana peel at us. Traps and slippery situations all around. We learn from a young age to avoid. Avoidance is the name of the game, bebê.
One day, however, we consider the possibility to break free from our old reality, our old pattern. We think we can actually do it, and start wondering about the possibility, about what we could do.
We can either talk - and by that I mean uncover the well and maybe find happiness forevermore - or until the next bump in the road - or drown terribly in said well. And we fear, oh my gosh do we fear! We fear the unknown, the unpredictability of the other. Of ourselves. The unforeseen is terrifying, but it brings a gleam - or shadow - of hope. To mend is possible, but also possible is the chance to break, completely and definitely. The indefinition of the situation appeals to us, especially when our heart is in serious jeopardy.
As our dear Gilberto Amado used to say: If to live is not easy, to live together is hell.
Alas, to love, the great suffering. And also the great redemption....
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO.
Monday, 12 December 2011
Hardy-mood
Sim, meu problema é maior que o seu. Simplesmente porque é meu. Minhas dores são maiores que as suas. Meu sofrimento é, com certeza, mais avassalador. Você não tem idéia. Não existe comparação...
Essa é uma competição que não faço a mínima questão de ganhar. E não entendo porque tanta gente adora competir nesta categoria. Será que não se dão conta? Hábito faz o monge, não Ari?
Ixi.
Faz muito que não estou interessada em competições para mártir do ano. Não estou mais interessada em problemas insolúveis. Pode ficar aí com sua pior desgraça. Tenho certeza que a minha não é tão ruim assim.
Essa é uma competição que não faço a mínima questão de ganhar. E não entendo porque tanta gente adora competir nesta categoria. Será que não se dão conta? Hábito faz o monge, não Ari?
Tuesday, 6 December 2011
Aforismas da insônia pós-rabanada da meia-noite-e-meia - Parte 1.
Liberdade - tarda para uns (mas falha para outros).
E ainda: quem nada possui, nada teme.
Tolos são aqueles que não nos entendem.
Pequenos os que acham que nos entendem, mas discordam de nós.
Não nasci para política de escritório. Quando completei um ano de casa, comprei um taser. Quando fiz 10 anos, escalpei meu chefe com uma colher. Conclusão: Já dizia Ascaris lumbricoides, se não for neutropênico, desescalona, minha filha, desescalona. (na verdade, ela fala que essa palavra não existe).
"Desapêgo". Palavra-chave de 2012. Sim, mas do quê? Devo ser desapegada de quem? Do quê? Acho que devo me desapegar de mim mesma. Desse meu ímpeto pouco comedido. Dessa minha fome de engolir o mundo. Quero me livrar também dessa carne que me limita, marcada para morrer. Essa caixa rígida, que me carrega dia-pós-dia, para mais perto de minha cova - bom, essa quero que se exploda, junto com todas as outras caixas que fazem do trânsito de seres e idéias algo insustentável. Me desapegar do meu deslumbramento deve ser essencial: essa ingênua vivacidade que assusta meus doutos colegas, por exuberância e por ousadia. Ousar é também errar. Desapegar da ansiedade também, e do meu medo. Medo de tudo, mas principalmente do medo de não bastar, de não me bastar. De insuficiência.
E se é prá desapegar, que desapegue-se mesmo. Que se desapegue do que mais esteve excedente em 2011: que se desapegue do amor. Porque sou só amor. Tão amor, que por vezes me pergunto como cabe tanta intensidade em um só peito. Como será que não entro em combustão espontânea a todo outro instante. Mas não, fico aqui, em constante equilíbrio dinâmico, sempre a um passo do desequilíbrio anquilosante. Eita esquiador maldito. Porque você sabe, eu viro estátua.
E se assim me desapegar de tudo isso, sobrará uma casca tão oca e fina e quebradiça que se romperá a mais leve brisa. E dessa vez, não serão lágrimas a escorrer (e como escorrem!). Nada escorrerá. Nada existirá. Não haverá mais nada lá.
Thursday, 2 June 2011
How do you feel when your life might be about to change forever?
... or, in other words, WTF to go now? *

Is this the right path, you wonder? Or is it the right person to follow down on what you think could be the right path? So many questions unanswered. So many possibilities. But isn't it the wonderfulness of life? This chill of (half) unpredictability? But what about the what if's? What about trying to be as much happy as you can for the longest period of time possible? Or is it better just to aim for absolute happiness whenever you can - even if those moments are sparse in time?
Cricket. Cricket. Cricket.
No one knows. No one can truly know.
Anyway, I'm going down on one of those paths this weekend. Maybe I'll have one less "what if" in my life. Maybe I'll really love that. Maybe I can fill a hot air balloon with all the bubbly weird things I've been feeling and just keep on feeling like this forever, up in the air. But, let's face it, I wouldn't like that that very much - and if you were in my shoes, you wouldn't either. We all want to evolve somehow. And so does our feelings. If they don't grow, don't evolve, they most surely die. Ouch. Let me explain:
Anyway, I'm going down on one of those paths this weekend. Maybe I'll have one less "what if" in my life. Maybe I'll really love that. Maybe I can fill a hot air balloon with all the bubbly weird things I've been feeling and just keep on feeling like this forever, up in the air. But, let's face it, I wouldn't like that that very much - and if you were in my shoes, you wouldn't either. We all want to evolve somehow. And so does our feelings. If they don't grow, don't evolve, they most surely die. Ouch. Let me explain:
I don't know about yours, faithful reader, but my feelings keep on growing. They grow in such a exponential rate that I'm afraid they might overtake what's left of me. Smother the rest of poor Laura. But there's nothing I can really do about it. I was born this way. I was born to love completely or not at all. And if we love completely, we love more with each passing day, with each new unveiled flaw: it is very easy to love virtuousness. I want to see you like the vices as well - because come one day, 'putting up with' won't be enough, honey.
I'm babbling here. I tend to do that now. And I don't wanna get out of bed (because of my wonderfully wonderful dreams). Oh dear, shoot the deer.
Anyways...
The point is, yes, let's capture the momentum. But let's also have space to grow. Let's build something solid together. Leaving a trail of bread crumbs isn't my idea of a solid future. I am more like the practical pig: no wolf is puffing down my little brick house when I'm done. Planning and building a future together could strengthen any relationship - or break them apart for good.
My last words of advice? Think of what you are about to do (not by yourself!! - think it over with you best gay pal - they are the best for fashion, naughty advice and life-changing decisions), drink 2L of water a day, sleep 8 hours a night, exercise and read a good book. And cut the sugar: it is evil. Trust me on this! It's been messing with me this week! Bwahahaha.
* There is a "right" answer, as you probably noticed. It is very easy and clear to choose if you just take a step back (or if it is not your life LOL). Clear your head of possible infatuations and take the real plunge. But what is real? That, my friend, only you can know.
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