Monday, 22 November 2010

Poemeu II

Acerca da ritmicicidade do tempo

O movimento pendular
que garante a ritmicicidade das coisas
pode não ser tão preciso assim.
Se cada minuto um segundo roubar
O movimento pendular
Não vai ser nada regular
E o tempo, quem vai marcar?

Sem ritmo, sem tino.
Sem metro, sem prumo.
Sem tempo. De nada.

Nem de balançar.



Monday, 1 November 2010

A hesitação em decidir: prazer e risco futuro


Decisões, escolhas. Dois caminhos a se seguir. Mesmo quando as duas opções são viáveis a escolha ainda é difícil. Na verdade, é justamente quando o certo e o errado não estão prescritos, cravados em pedra, é que a decisão se torna tão mais ardilosa, dura.

Este é o caso de nossa paciente. Recém diagnosticada com uma doença auto-imune, lúpus, é aconselhada a não engravidar. Esta recomendação, a priori, feita antes mesmo de sabermos da intenção da paciente em engravidar, vai contra os preceitos de uma boa relação médico-paciente, como assim veremos.

É relevante discutirmos se a conduta de tal médico foi correta ao abordar uma já fragilizada paciente que – acreditamos -  acabara de receber um diagnóstico de uma doença crônica, e, portanto, eterna, com uma informação talvez desnecessária - em um primeiro momento – sobre uma possível e teórica gravidez, mesmo porque uma gravidez em pacientes lúpicas, consideradas de risco, pode ser acompanhada a termo com sucesso como já expresso anteriormente.

No entanto, a fruta proibida é tão mais gostosa: apesar de não termos dados confirmando a vontade da doente de engravidar, a proibição do fato pode ser o estopim para que o desejo de engravidar aflorasse. Afinal, o que seria um improvável e distante risco futuro se comparado com o prazer de uma gravidez – que para muitos é a consolidação da realização de uma mulher -, ainda mais hedonista justamente por ser de alto risco? Ou seja, mesmo se nunca houvesse desejado um filho antes, por agora ter sido aconselhada, mesmo que precipitadamente, a não engravidar, seu desejo de ter um filho (o prazer futuro) pode suplantar o risco iminente de uma gravidez de risco.

Em contrapartida, se levarmos em conta os ideais ascéticos, nossa paciente permanecerá não-grávida (padronização de comportamento). Desejará um filho, uma gravidez, mas suprimirá sua vontade. Inúmeras razões poderão levá-la a esta “pureza”: o saber médico, seu amor de mãe (já que doenças auto-imunes podem ser hereditárias), auto-punição, auto-piedade. Até onde este ideal ascético chegará? E se nossa paciente fosse uma diabética e as recomendações fossem a não ingesta de açúcares? E uma hipertensa com a diminuição da ingesta do sal? Abster-se-ia ela de tais prazeres mundanos e tão pouco controláveis? A intervenção médica nestes hábitos de vida teria o mesmo valor do que a interferência em uma gravidez, que tem uma significância psicossocial indiscutivelmente maior? Até onde vai o poder decisório médico?

É justo assumir que quem discrimina a suposta gravidez da lúpica enquanto de risco é o saber médico. De acordo com Vaz, quando responsabilizamos alguém pelos sofrimentos que experimentamos, supomos que outra coisa poderia ter sido feita e que esta ação, a verdadeira, estava ao alcance de sua vontade. Logo, qualquer posição adotada pelo médico será passível de críticas pela paciente se este não estabelecer com esta, desde o primeiro momento, uma relação de confiança e responsabilidade, a informando de sua condição e as possíveis e prováveis consequênciais.

O cerne da questão não é ser ou não ser, engravidar ou não engravidar, mas quem dita as regras deste jogo. Quem deve administrar o capital-saúde dos nossos pacientes?

Devemos pensar no capital-saúde como uma dívida, já que mesmo quando somos saudáveis, há predisposição a doenças genéticas e outros inúmeros acasos incontroláveis que espolia este nosso capital. No caso de nossa paciente, o lúpus, doença auto-imune de etiologia deveras sombria, é sua dívida que, como afirma Vaz, é impagável. O máximo que podemos fazer é esperar sua inevitável cobrança. Então, como que na posição de médicos, em uma paciente cujo diagnóstico já está cimentado e em cujo prognóstico não se tem uma cura, almejamos algo diferente do que o esperar? 

Com o conceito de fator de risco, há uma transformação da experiência do adoecer, tanto para o doente quanto para a sociedade – e principalmente para o saber médico. Na verdade, hoje, todos os não-doentes são classificados como quase-doentes pela medicina preditiva, já que todos podemos possuir alguma predisposição genética, algum comportamento de risco, estamos no limiar do saudável. Isto causa um desaparecimento gradual entre a distinção do doente para o saudável. A óbvia conclusão: o saber médico, o próprio médico, torna-se uma figura central na padronização do comportamento, ou seja, estabelece diretrizes as quais devemos seguir se quisermos ter uma melhor qualidade de vida – parâmetro de qualidade altamente subjetivo

O conceito de fator de risco pode ser mais um mecanismo de apaziguar as angústias do indivíduo diante de sua impotência em não poder controlar sua vida e morte. A gravidez de nossa paciente traz a impotência do saber médico diante das angústias de nossa paciente. Angústias estas que não foram bem administradas pelo seu médico. Aprendemos com este caso que, independentemente do diagnóstico ou prognóstico de nossos pacientes, uma relação de respeito e confiança com estes é a base de qualquer terapêutica, em qualquer situação, de qualquer paciente.

Parte integrante do Seminário Integrado de Relação Médico Paciente II - UNESA RJ 2010.2 
Curtiu? Procura um camarada chamado Paulo Vaz. Ele vai te explicar melhor. (Um Corpo com Futuro)

Saturday, 16 October 2010

Medidas não-farmacológicas para o controle do stress

O mundo tornou-se veloz: distâncias diminuiram e os prazos já são para ontem. E medicina sempre foi uma das carreiras que mais demandam da alma e da carne. Eu sou uma pessoa naturalmente agitada, ansiosa, inquieta. É esperado que eu me descabele um pouco mais durante os seis longos anos de graduação neste mundo fervilhante. E nos seis de residência. Mas e depois? E durante minha vida profissional? Serei eu mais uma dependente dos sossega-leão-tarjas-preta para tornar o meu nível de stress aceitável? Me moldar ao aceitável?

Pois é, acho que não.

Existe sim solução para pessoas como eu além do tradicional hipnótico/ansiolítico, (não, não estou falando da associação)! Muitos encontram Deus, Buda, Iemanjá. Outros comem demais, bebem demais, fumam, se drogam. Válvulas de escape. Nada disso funcionaria para mim. A paz não vinha. Até que...

A encontrei. Momentos de absoluta paz. Perfeito silêncio. Meu templo...

...o Centro Cirúrgico.

O cheiro de pele queimada e polvidine estão entre minhas lembranças preferidas, para sempre gravadas em mim. Lá, eu sei quem eu sou e o que devo fazer (e quando não sei, tem sempre alguém para me ensinar ou puxar a minha orelha). Nunca me sinto tão bem quanto lá, onde tenho um propósito, uma definição, minha utilidade - e pode não ser tão grandiosa, como nunca é, mas faço parte de algo grandioso, extraordinário até. Maior do que qualquer médico, qualquer acadêmico: Faço parte de uma equipe. 

O ballet da cirurgia, onde até um baleado de tórax vira poesia. O cáos é organizado, estruturado - tem que ser. Coordenado entre todos os participantes, dançamos com prática treinada (a cada plantão um passo novo) uns com os outros. Temos os pés-de-valsa e os pernas-de-pau, como eu: iniciados mas ainda iniciantes, entre nós - mas somos a equipe cirúrgica e nossa dança é sempre arte treinada. Tango de equipe.

No vestiário ainda, eu começo a virar abóbora. O ar abafado do hospital já entra pela porta. Lá fora, nas esquinas da minha vida, um sentimento angustiante me persegue. Problemas que se ciclam. E reciclam. Não consigo encontrar aquela paz que mora no décimo primeiro andar. Nem com ajuda - não absolutamente.

Mas quando subo as escadas para o centro cirúrgico, meus olhos já brilham com o mais puro êxtase que alguém pode sentir, e as memórias do nosso último encontro tintilam nas pontas dos meus dedos.

Lá, no centro cirúrgico, eu acredito em uma força maior.




Encontrei meu templo: inabalável, impenetrável, no qual os problemas de minha vida não têm espaço, não podem ter espaço. O culto que nele se realiza, descobri, é maior do que técnica e do que arte. É maior, porque é a soma do trabalho, não, do esforço, de rostos anônimos que fazem possível a mágica acontecer. E eles não estão todos lá, comigo. Na verdade, são poucos os que de fato no templo estão, mas do ritual, muitos participam. Afinal, para se fazer um bom verão, público ou particular, é necessário muitas andorinhas. Obrigado, andorinhas, pelas noites (e dias!) de felicidade.

Sunday, 3 October 2010

Carta de uma acadêmica

Eu gosto de você, de verdade.
Posso te fazer feliz, mais do que você imagina. Estou te oferecendo mais do que já te ofereceram: eu. E é incondicional, querido. Porque sempre gostei de você, mas sempre tive medo. E recentemente, percebi que o meu medo só me incapacita. Não sei o que está te segurando, se é falta de vontade, de confiança, de tesão. Mas eu sou apaixonada por você - sempre fui - mas nunca acreditei em você.
Cresci.
Hoje, quero que você acredite em mim.
Estou aqui, na sua porta, pedindo para você me amar. Porque eu te amo. Do jeito que você é. Com a bagagem que você tem. Porque foi por você que eu me apaixonei.
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Enfim, sou acadêmica do HGB (assim espero). Nada mais comentarei. Não entendo porque nunca me levou a sério. Sempre te amei, idiota.
Laura

Sunday, 26 September 2010

What's New Pussycat?

What's New Pussycat?

Excellent choice for a quiet afternoon. Or a light night with your beloved one and a good bottle of wine. I laughed on the silly bits, was annoyed on the very silly bits (british humor, you gotta be on the mood) and reflected on my own messed up life on the insightful (purposefully - or not) bits. Woddy's debut. Nice, uh? I'm feeling rather nostalgic. So let's begin.

It's all about love today. And pussycats. Aren't those the same? For the handsome lead character, it was. Tangled. When he fell trully in love and his fiancé began pressuring him into marriage. Familiar? The problem: he was a big womanizer. A cheat. The plot: he found himself a psychiatrist that is a convict pervert and put him in a group therapy for perverts. In the end, it all falls into place, with crazyness ensured on every step of the way.

High points. I just adored Capucine's character, Renee. Of course, she's crazy, like everyone else in this movie. But she has such class and pose and finesse. She is funny and frigid and sexy. Can you imagine that? Perfect woman. O'Tootle is the perfect gentleman and the perfect arse - we pity his weakness, we love his flaws. And on a certain light, he is almost handsome. LOL.

The movie goes by without you feeling it, like a warm sunday afternoon. Not a great masterpiece, but light and funny. For sure something I reccommend. Go watch it, kiddo.

The question: why some men tend to avoid marriage at all costs? It's a universal, atemoral tendency. They date, they get engaged. Some will postpone the fateful date for years, ludibriating the poor girl to then just dump her. Or to tell her he's not ready. The thing that he forgets to mention is that he will probably never be ready to marry her. Maybe it's her, maybe it's him. Actually, I trully believe that when  a couple have been dating for a while and marriage is on the table, if the guy is reticent to set the date and his excuses are vage and everchanging, the problem really is that he doesn't want to marry her. It doesn't matter how nice he is, if he doesn't want to spend the rest of his life with you, he's not worth of your time. Then again, what do I know? Here I am, on a Sunday night, drinking wine, watching a '65 movie, writing. By myself. Again.

Go watch the movie. It's nice...

On My Own

Back to Broadway. From where I should never have left.

I have to tell you all something: Broadway rocks my little world. I want that. I want the drama, the jazz, the glitter. I want the love. I want the happy endding.
Am I reaching to the stars?

Why do people keep thinking that to want it all is unthinkable, unreachable? I have one life, and I want all that I am entitled to in this lifetime. Let me tell you a little secret - we are entitled to all we believe we are. Believe and go after it. That's where the power lies. That's what people forget - they forget to believe, they get confortable, they get lazy, they settle for less. Yes, they are happy, but you can see in their eyes the dream that one day was. Not anymore.

So, people, keep living your dull, empty lives, content with crumbs, scraps of what you once dreamed of. I might be eternally unresigned. A true nonconformist. Will this bring me happiness? Probably, no. I just know that I won't accept anything half-way.

I'll leave you on a melancholic mood... Broadway style.

On My Own

Tuesday, 7 September 2010

Life Is Such a Repetition

Seriously, here I am, on a major holiday, bothering my friends and brother on a respectful but still early hour in the morning. For what? Because I'm BORED out of my mind. They are ALL asleep. Well, my poor brother isn't anymore, but he has his girlfriend here, so I better stay on my side of the curb. 

Anyways. This all brings me back to 2 aspects of everybody's lives: 

Firstly: life is a cycle. 

It truly Is a repetition of patterns one is comfortable in following. Let me tell you how I came to this brilliant conclusion - One day you are very hyper and hanging out with friends, then a little melancholic, then you stay in, eat some ice cream, read a book. Then you just wanna party all night long again. Maybe I'm oversimplifying things with this moronic example, but you have maybe 3, 4 personas inside you that cohabit and live peacefully together, on cycles, just like when you plant corn and other plants that exploit too much of the earth. You HAVE to rotate the plants. You have to rotate the personas. The problem is, your life becomes a cycle of these people that, ultimately, are you. You don't move forward, you don't evolve. You keep going round and round. Sad, uh? You have to get out of this CILADA, my friend. Otherwise, you'll stay forever this young soul - not in the cute and innocent way - but in the infantile and immature way. And that's never attractive.

Secondly: Procrastination is the essence of one of my personas. The one that follows the obsessed one. Oops.

I know that I should be studying. I know that I HAVE to study. But he won't call me. So I won't study. I'll write, I'll work, I'll even take my dog on a walk. And later on engage on a crazy Jack Bauer Study Plan (you only have 24 hours!). Sometimes is not even out of spite. Sometimes is just because. Because I want to. Very volutarious this author, uh? But I never liked no-one telling me when to do things. So I do them, all right, but when I want to do them (or when I just can't avoid doing them anymore). Sad? Maybe a little. But I'm such a grown up, doing things on my own timing. ...